Na procura desenfreada do património imaterial gastronómico, encontro em frente ao meu restaurante o registo que me confirma e dá certezas. Ao Largo Dr Pedro da Fonseca existe a Igreja Matriz de Proença-a-Nova, onde fui beber a fé e o conhecimento. Sobre o porco, aparece como um elemento de adaptação; primeiro como recurso silvestre, depois como pilar da economia senhorial e, finalmente, como a alma da cozinha regional. Sem o porco, a demografia e a cultura da "Cortiçada" teriam sido radicalmente diferentes...
No século XVII, o porco consolidou-se como a principal reserva de proteína para as famílias rurais. Num território de solos por vezes pobres para a agricultura intensiva, o porco era o "banco" da família, investia-se nele o que a terra dava e colhia-se o sustento para todo o ano.
Mais tarde no século XX, Proença-a-Nova diferenciou-se pela forma como se processava a carne de porco. Enquanto noutras regiões o foco era apenas o presunto ou o chouriço, aqui desenvolveu-se uma mestria única no aproveitamento integral do animal.
O Maranho e o plangaio surgem e consolidam-se em iguarias como os Maranhos (que, embora usem cabra ou ovelha, beneficiam da gordura e do suporte do porco) assim como o plangaio. A carne de porco torna-se a base de um receituário rico que define a gastronomia local.
Hoje, o porco deixou de ser apenas "comida" para ser um elemento do património imaterial.


A chef não desilude. Obrigado por Proença-a-Nova.
ResponderEliminarObrigado por me ler.
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