terça-feira, 20 de maio de 2025

São Tomás More e a minha salada

 



Ainda que encare os dias com humor e humildade, vejo-me muitas vezes como uma apaixonada cozinheira a preparar uma salada leve e fresca, quase como uma celebração da primavera que teima em não chegar. Imagino uma combinação delicada de verdes tenros, folhas que parecem sussurrar promessas de dias mais quentes, entrelaçadas com aromas subtilmente florais que despertam os sentidos. Para dar um toque de alma ao prato, acrescento restos de frutos secos do inverno, que, com a sua doçura e crocância, trazem uma recordação de momentos mais frios, agora transformados numa textura que encanta o paladar. É uma receita que, embora simples, revela a beleza de apreciar o que há de melhor na vida [olhando para o meu seio familiar], numa harmonia que celebra a renovação, a esperança e a alegria de saborear cada ingrediente com humildade e paixão. Por isto escrevo e convido a ler sobre um dos meus Santos preferidos.

São Tomás More, nascido em 1478 em Londres, foi um verdadeiro gentleman do século XV, conhecido por ser um advogado, humanista e, acima de tudo, um homem de princípios. Imagino-o, um homem tão dedicado à justiça e à moral que, ao invés de se deixar ir pelas tentações do poder, preferiu manter-se firme na sua ética — mesmo que isso o colocasse em maus lençóis com o rei Henrique VIII. Este santo foi tão leal às suas convicções que acabou por pagar o preço máximo: a cabeça, literalmente, na forca. Mas, antes disso, foi um intelectual de renome, amigo dos eruditos e leitor assíduo, escreveu uma obra-prima de reflexão social e política, “Utopia”, uma espécie de manual de ideias, mesmo hoje faz-nos pensar se o mundo poderia ser um lugar melhor? [ ou pelo menos, mais divertido de imaginar.] São Tomás More é, um exemplo de humildade intelectual e coragem moral, com uma pitada de humor à moda do século XV, que nos ensina que, às vezes, a maior bravura é manter-se fiel a si mesmo.[mesmo que isso signifique perder a cabeça (literariamente, claro).]


Oração a pedir o bom humor

Dai-me, Senhor, uma boa digestão,

mas também qualquer coisa para digerir.

Concede-me a saúde do corpo e o necessário

bom humor para mantê-la.

Dai-me, Senhor, uma alma simples,

que saiba aproveitar tudo o que é bom

e não se assuste demasiado perante o mal,

mas encontre maneira de recolocar

as coisas no lugar devido.

Dai-me uma alma que não fique refém do tédio

nem de resmungos, impaciências ou lamentações,

e não permitais que me atormente

para lá do razoável

com essa coisa turbulenta chamada “eu”.

Dai-me, Senhor, um sentido de humor apurado

e a capacidade de receber o que aí vem a sorrir

vivendo o que me cabe com alegria

e partilhando-a sem custos acrescidos

com os outros. Ámen.

Oração escrita por São Tomás More

e rezada diariamente pelo Papa Francisco


observei-os fascinada no laboratório escuro.

  Sob as oliveiras centenárias de Monsanto, onde as pedras parecem guardar os segredos do início do mundo, o tempo parou.  Não sou apenas a ...