quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A Alma da Beira Baixa em Pleno Coração de Lisboa, a terra que me viu nascer ♡

 

Que privilégio imenso e que responsabilidade sentida. Entre os dias 18 e 20 de outubro, tive a honra de levar os sabores autênticos da minha Beira Baixa à capital, no prestigiado evento "Grandes Escolhas | Vinhos & Sabores 2025", que encheu o Pavilhão 2 da FIL de aromas e paixões.

Fui na qualidade que tanto me orgulha: a de Embaixatriz da Beira Baixa, uma nomeação da CIMBB (Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa) e do Turismo de Portugal, integrada neste projeto maravilhoso que é o "Sabores ao Centro".

A minha missão, neste showcooking beirão, era clara e fundamental: não se tratava apenas de cozinhar, mas de contar a história de um território através dos seus produtos. Como nos foi pedido, era essencial que cada prato, cada receita, tivesse uma ligação clara e representativa à nossa sub-região, reforçei a identidade e valorizei a riqueza da gastronomia.

E foi com essa alma que servi a Beira num prato.

Começámos com a terra, com o outono: um Arroz de Míscaros sublime, onde o conforto do arroz [a ponte gastronómica com o ribatejo" orivarzea- o carolino Bom sucesso]  abraçou o sabor inconfundível dos nossos cogumelos selvagens. Seguimos para a força da serra, com um Veado com Boletos, uma homenagem à caça e aos sabores silvestres que nos definem.

Claro que, ao falar das Beiras, não podiam faltar os ícones que nos unem. O Maranho da Sertã, com a sua personalidade única e sabor profundo, marcou presença, assim como a célebre Tigelada de Proença-a-Nova, a sobremesa que é, em si mesma, uma memória afetiva.

Para que esta viagem fosse completa, fomos acompanhados pelos vinhos certos: os grandes vinhos das Beiras e da Beira Interior. Quero destacar o Monte Barbo Branco Reserva, um vinho com estrutura e elegância, que não só harmonizou com os pratos, como se fez mostrar dentro da própria confeção do Arroz de Míscaros, onde dei provas da sua incrível versatilidade.

Num evento desta magnitude, o sucesso nunca é solitário. Todo o serviço foi agilizado de forma impecável graças ao "querido" António. Numa altura de tanta pressão, o António demonstrou ser não apenas um profissional excecional e um coordenador mui(to) competente, mas também de uma cordialidade que tornou todo o processo mais fácil e humano.

Saí da FIL de coração cheio. Sinto que cumpri o meu papel: mostrar que a Beira Baixa não é só paisagem; é sabor, é tradição e é futuro.


Desejos de vos rever,

com muito ânimo 




   



Restaurante: o Provence -Largo Dr Pedro da Fonseca n.º 3 6150-518 Proença a nova 

Sede: Rua Dr. Ant. augusto C. Lobato Golão 38 6060-189 Idanha a Nova
Quinta: Sitio de Monsantel, Estrada nacional 239 6060-088
Tel.: +351 96 366 4600

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Se eu fosse à Mesa com o Sr. O Dr. Mário Alberto Nobre Lopes Soares

 


Um Banquete de cultura nacional


Sentar-me e cozinhar para a mesa do ilustre Sr. Dr. Mário Soares seria, antes de tudo, uma viagem ao coração da cozinha tradicional portuguesa, uma celebração que convidaria a cultura social, política e gastronómica a falar delas próprias. Entre conversas de alta política, memórias de uma vida dedicada ao serviço público e reflexões profundas, a gastronomia surge como um elemento de união, de conforto e de identidade. E, nesta ocasião singular, o prato que se revelaria como verdadeira e predilecta do “antigo” Presidente é uma combinação de sabores que marcam o melhor da nossa herança culinária: um suculento bife de vaca, acompanhado de um puré de batata aveludado, complemento de uma deliciosa patanisca de cachaço de bacalhau e, para terminar, uma irresistível tigelada das Beiras.


Comecemos pelo bife de vaca. A carne, escolhida com requinte, reflete a simplicidade e a robustez do campo português. Cozinhada na perfeição,, em frigideira, macia e suculenta, com um toque de gordura que se desfez na boca, deixando transparecer o carinho com que foi preparada. Para o Sr. Doutor Mário Soares, a carne era mais do que alimento: era um símbolo de autenticidade, de raízes profundas numa terra que valoriza o trabalho árduo e a honestidade. Com um pouco de sal grosso, pimenta e um fio de azeite virgem, o bife ganha uma dimensão quase poética, sugeria as tradições ancestrais que moldaram o carácter do povo português.

No lado, encontrava-se um puré de batata que, por si só, é uma obra-prima de suavidade e conforto. Feito com batatas bem cozidas, amassadas com manteiga e um toque de leite, o puré de batata é o abraço quente que acalma a alma, um convite à nostalgia. Para o ex-Governante, este prato representaria as raízes simples e genuínas do nosso quotidiano, um símbolo de harmonia entre o sabor e a tradição. A textura cremosa e o sabor delicado tornam o acompanhamento perfeito, elevando ainda mais o prato principal.

Não poderia faltar a patanisca de cachaço de bacalhau, uma verdadeira delícia que combina tradição e a doméstica. O bacalhau, fervido suave e lentamente, é lascado e envolvido num polme delicado e crocante que se derrete na boca. A patanisca representa uma das muitas formas de aproveitar o bacalhau, mais do que um alimento, é uma lenda viva na gastronomia portuguesa. Para o Sr. Dr., esta iguaria seria uma homenagem às raízes costeiras do país, uma lembrança das manhãs ao som do mar e do cenário tradicionalista da arte.

Por fim, a tigelada das Beiras, sobremesa que conquistaria o seu coração. Feita com ovos, mel e canela, assada numa tigela de barro, ela é uma verdadeira explosão de sabor e tradição. De textura macia, quase cremosa, e o aroma intenso de canela remetem-nos para as memórias das festas de aldeia, das tardes ao calor do lar, e do sentimento de pertença que a cozinha tradicional sempre proporcionou. Permito-me dizer que para o Sr. Dr. Soares, a tigelada era mais do que uma sobremesa: era uma doce homenagem às raízes profundas do interior do país, uma saborosa recordação do Portugal mais genuíno, Proença-a-Nova.

Naquelas horas à mesa, entre pratos de sabores autênticos e conversas de alma, percebi que a gastronomia, para este Presidente, era uma forma de preservar a identidade, de fortalecer laços e de celebrar a vida. Cada ingrediente, cada receita, fiz-lhe uma história que ultrapassava o simples acto de comer, era uma herança, um património que se repassaria de geração em geração.

Ora, nesta mesa com o Sr. Dr. Mário Soares, o que se partilhou era o testemunho de amor pelo país, pela cultura e pelas tradições. E, entre um bife de vaca bem temperado, um puré de batata aveludado, uma patanisca de bacalhau crocante e uma tigelada das Beiras que aqueceu a alma, ficava a certeza de que, na simplicidade dos sabores, reside toda a essência de Portugal.



Fontes:


"A Cozinha Tradicional Portuguesa" de Maria de Lourdes Modesto

História e Biografia de Mário Soares "Mário Soares: A História de uma Vida" de João Gonçalves 

 "Mário Soares Biografia" de Maria João Seabra

Gastronomia Regional das Beiras

JORNAL EXPRESSO


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