terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A vida trocou-me as voltas ♡

 


Há um par de anos, mergulhei nas páginas de "O Meu Avô Luís". O meu foco era académico e analítico, tentava decifrar a forma como Sofia Pinto Coelho resgatava a memória, a justiça e a complexidade humana através da história do avô. Na altura, era para mim um objeto de estudo, uma voz distante mas fascinante entre capítulos e notas de rodapé.

Naquela noite, a vida trocou-me as voltas e o cenário mudou drasticamente. As mãos que antes folheavam o seu livro e tiravam notas sobre a narrativa, são as mesmas que preparam o jantar. Passar do estudo da obra à hospitalidade do serviço é um ciclo inesperado e gratificante. É o privilégio de servir alguém cujas palavras já me tinham "alimentado" o pensamento muito antes de eu saber que, um dia, seria eu a alimentar o seu serão.
A querida escritora explora a humanidade do avô, o juiz Luís Pinto Coelho, e há uma referência implícita àquilo que a mesa representava para ele, a dignidade e a sobrevivência.
 No livro, a Sofia Pinto Coelho escreve como o avô, mesmo nos momentos de maior isolamento político e pessoal, mantinha uma postura de extrema educação e ritual à mesa. Para ele, o ato de comer não era apenas nutrição, era um ato de resistência civilizada.
O Simbolismo do Pão [e, eu que sou de coisas cheias de simbolismo] numa passagem onde se reflete sobre a escassez e a forma como a família lidava com as dificuldades. Servir-lhe um jantar é, de certa forma, uma celebração da abundância e da liberdade que o avô tanto prezava, mas que lhe foi testada.

[E lá foi por whatsapp… No seu livro, senti que a mesa do seu avô era um lugar de verdade e rigor. Pergunto-me se estive à altura desse espírito de partilha que a Sofia tão bem descreveu.beijinhos ]



observei-os fascinada no laboratório escuro.

  Sob as oliveiras centenárias de Monsanto, onde as pedras parecem guardar os segredos do início do mundo, o tempo parou.  Não sou apenas a ...