Há um par de anos, mergulhei nas páginas de "O Meu Avô Luís". O meu foco era académico e analítico, tentava decifrar a forma como Sofia Pinto Coelho resgatava a memória, a justiça e a complexidade humana através da história do avô. Na altura, era para mim um objeto de estudo, uma voz distante mas fascinante entre capítulos e notas de rodapé.

A querida escritora explora a humanidade do avô, o juiz Luís Pinto Coelho, e há uma referência implícita àquilo que a mesa representava para ele, a dignidade e a sobrevivência.
No livro, a Sofia Pinto Coelho escreve como o avô, mesmo nos momentos de maior isolamento político e pessoal, mantinha uma postura de extrema educação e ritual à mesa. Para ele, o ato de comer não era apenas nutrição, era um ato de resistência civilizada.
O Simbolismo do Pão [e, eu que sou de coisas cheias de simbolismo] numa passagem onde se reflete sobre a escassez e a forma como a família lidava com as dificuldades. Servir-lhe um jantar é, de certa forma, uma celebração da abundância e da liberdade que o avô tanto prezava, mas que lhe foi testada.
[E lá foi por whatsapp… No seu livro, senti que a mesa do seu avô era um lugar de verdade e rigor. Pergunto-me se estive à altura desse espírito de partilha que a Sofia tão bem descreveu.beijinhos ]