terça-feira, 18 de março de 2025

Saramagos

 


Na Beira Baixa Raiana, a conquista do galo de prata ressoa como um eco de tradições eternas, sinalizam a chegada do vento que sopra na "Aldeia Mais Portuguesa de Portugal."

 Este nó que une marcas contemporâneas à herança ancestral revela a angústia da comunidade, que, apesar das adversidades, preserva o orgulho da sua organicidade. Aqui, o peso nobre da fertilidade da terra encontra-se entrelaçado com o trabalho incansável das gentes, que cultivam tanto a terra como a memória. Cada dia vivido neste canto do país é uma celebração de resiliência e do amor pela sua cultura, nisto, vibram com um espírito indomável.


«Assim de facto o sentimos, remoto e em degredo. E Monsanto se chama, de pedra é feito – minha pedra coalhada – minha nave de pedra.» -Fernando Namora


domingo, 16 de março de 2025

Amálgama da ruralidade

 Na beira lusitana, a Oriente, ergue-se a defesa granítica, podem ser castelos que avistam a  humildade gastronómica desta região. Que transforma consigo a miséria em sabor, tece o alimento que conta histórias de gerações. Aqui, o alimento local, traduz-se em tradições, revela-se através de ingredientes simples que, nas mãos dos mestres, se tornam verdadeiras iguarias. O brilho das estrelas no céu nocturno [nunca vi céu igual, e se mundo corri!] reflete nas mesas das gentes que se confunde entre dragões da contemporaneidade e os costumes perpetuados ao longo dos séculos. Cada refeição é um convite à nostalgia, uma viagem ao coração de uma cultura que, mesmo nas dificuldades, brilha intensamente.

Num dia que fiquei para jantar em casa de uma amiga, depois de passarmos o dia entre A horta, as figueiras e as panelas de compota a ferver. 

O pão era de Penha Garcia, assim como o queijo, salivo de pensar.


Uma agricultora Monsantina de primeira categoria e conhecedora das ervas e cogumelos. Ao vê-la com bons olhos, emocionei-me quando a vi feliz, como uma menina no meio do campo… ♡ 


A Panela da Ó…


Feijão encarnado ou manteiga

Azeite da sua campanha artesanal

Couve 

Batatinha aos pedacinhos

Cebola e alho


Acompanhei com presunto, e não foi preciso mais nada♡

Do que comi, lembro que estava uma delícia.



Turismo em Idanha a Nova

 Um brinde á resiliência, ao meu marido e ao meu filho. 


No dia 13 de março de 2025, a Casa da Velha Fonte celebra um marco significativo: os seus 9 anos de existência. Este momento não é apenas uma data no calendário, mas uma oportunidade para refletir sobre o distinto percurso repleto de desafios, conquistas e, acima de tudo, de memórias partilhadas. Sob o comando da Chefe Maria Caldeira de Sousa, a Casa da Velha Fonte torna-se espaço emblemático, mostra de tradição e a inovação se entrelaçam de forma harmoniosa, criando uma experiência única para todos os que a visitam.

Desde o seu início, a Casa da Velha Fonte, nascida beirã, em Idanha, foi concebida como um local de encontro, uma celebração dos sabores autênticos da região e do mundo. 

O talento e paixão com que recebo, a cozinha da Casa não é apenas uma cozinha; é um verdadeiro laboratório de emoções, onde cada ingrediente é cuidadosamente selecionado e preparado com a dedicação que a comensalidade merece receber. A visão culinária marcada pela ousadia e pela elegância, transformou pratos ancestrais em tradicionais criações contemporâneas, elevou a gastronomia local a patamares de excelência.

O percurso da Casa da Velha Fonte ao longo destes nove anos foi, sem dúvida, uma montanha-russa de experiências. Desde os momentos de incerteza e adaptação até aos sucessos estrondosos e ao reconhecimento que alcancei na comunidade e na cena gastronómica nacional, cada passo foi dado com determinação e um espírito inabalável. As diversas mudanças que se avizinham em 2025 prometem abrir novas portas, trazer novas ideias e implementar inovações que só vêm reforçar o legado que a Casa da Velha Fonte já construiu. Com o olhar sempre atento ao futuro, continuo a direcionar com sabedoria e empatia, asseguro que cada detalhe é parte fundamental do todo.

Ao longo destes anos, a Casa da Velha Fonte conseguiu estabelecer-se como um verdadeiro ponto de referência, onde os comensais se sentem em casa (literalmente). Através de um serviço atencioso e personalizado, cada visita é uma experiência memorável, marcada pela hospitalidade calorosa de uma família dedicada. O ambiente humilde e acolhedor, aliado à qualidade dos pratos e à apresentação sensacional, é a combinação perfeita que atrai amantes da boa mesa e apreciadores da cultura gastronómica.

Neste aniversário, celebramos não só o que foi conquistado, mas também o potencial que ainda reside na Casa da Velha Fonte. As expectativas para o futuro são altas, e cada passo é guiado pelo desejo de melhorar, inovar e, acima de tudo, surpreender num acto de amor que une regiões, pessoas, experiências e memórias.

Ao celebrarmos os 9 anos da Casa da Velha Fonte, faço-o com coração e gratidão. Aos clientes, parceiros; Casa Trebaruna, Bode Country House, Casa do Cedro, Quinta São Pedro Vira Corça, Casa de Acha, Casas da Villa, Quinta da Pedra Grande, Moinho Do Maneio, Casas de Alpedrinha, Geo Hotel Monsanto, Sógarrafas,Traço Inox, Sacif,João Almeida frutas e legumes, Growflower,Bom sucesso, Keep Fresh, entre tantos outros… o meu sincero obrigado por fazerem parte desta viagem. 

Que os próximos anos sejam igualmente repletos de felicidade, crescimento e incontáveis momentos de celebração. Estou pronta para enfrentar o futuro, com a certeza de que a paixão pela gastronomia e hospitalidade nunca se apagará.


Foto : revista Adufe 2015 [alterada para preto e branco.


sábado, 1 de março de 2025

Pão funebre


Vejamos hoje para onde vai a imaginação, tantos assuntos que gostava de falar.

Escusado será dizer que as cartinhas enviadas são criadas por laivos de imaginação na 1a pessoa, mas em tempos antigos escreviasse na 3a. 

As mensagens funebres, Romanas por exemplo,eram epigrafias fabulosas. 

O Prof. Dr. Armando Redentor exibe um verso arrepiante de um pai que perdera o seu filho jovem, está exposta em Idanha-a-Velha; 

"Pubertatem ingressus, nec tristem mortem timeo, Ancetus, Celti filius, brevem Fatum explevi meum. hic iaceo; hic, cinis, requies."

"Entrando na puberdade, e sem ter medo da triste morte, eu, Anceito, filho de Célcio, cumpri o meu breve destino. Aqui jazo; aqui, cinzas, reposai." - Museu Epigrafico de Idanha-a-velha

Linda homenagem e arrepiante. Fico muito emocionada com o Luto deste pai romano.

Um assunto pouco defendido entre todas as ciências. 

E na gastronomia?

Poucos falam nos banquetes fúnebres, no alimento que acarinha a dor e atenua a lembrança dos seres que partem através do sabor. Reune-se familiares e amigos, fazem exéquias com gargalhadas e choros, relembrando pontos comuns. Mas do pão e da partilha do alimento na vida dos que vão é ultrapassado por todos os indivíduos.

O alimento do ego, o alimento da alma, o pão da dita comunhão.

O laço da alma através do pão, a união dos singulares vivos que se guardam e castigam na água e sumo da Terra (vinho) é a formação de uma nova forma de disseminação que se deixa ultrapassar pela falta de comunicação.

A construção da individualidade está na partilha do pão.

Pão para o luto, o alimento desinteressado. 

Porque será que quando existe sacrifícios ou penitências se corrige com a alimentação?

Bom, entrego à conversa outra receita que trará alma aos que ficam e com os fumos (canal de comunicação) se convence quem parte que é seguro elevar-se aos céus.


Pão de segurelha


1000g de farinha de trigo

15 g de fermento de padeiro

Sal, segurelha 

50ml de azeite

300ml de água 


Colocar a farinha numa maceira, com as mãos fazer um buraquinho no centro colocar o fermento padeiro seco, o sal e um pouco de água morna. Diluído, junte o azeite e misture com a farinha e a segurelha, amasse com a restante água.

Deixe descansar e levedar até que dobre o tamanho. Dívida em pequenas porções e deixe descansar novamente.

Agora, espalhe a massa até ficar com a grossura de um dedo, pique com os dedos ou um garfo e leve ao forno de lenha já bem quente. Por ser finamente espalmado é rápida a cozedura.

Depois de cozido o pão, pincel generosamente com azeite e umas pedras de sal. 

Alivie a dor e assegure-se que vê refletida "Neles" o sabor da partida de alguém com a alma cheia de amor!

Comer e beber na vida e na morte.

Beijinho 


observei-os fascinada no laboratório escuro.

  Sob as oliveiras centenárias de Monsanto, onde as pedras parecem guardar os segredos do início do mundo, o tempo parou.  Não sou apenas a ...